Se Gèn apareceu em sua leitura, o livro está nomeando uma condição, não uma previsão. A condição é esta: a agitação não está na situação; está no movimento contínuo da mente do leitor. A hora pede que esse movimento se aquiete.
Montanha sobre montanha: o trigrama da imobilidade duplicado. O caractere 艮 significa parar, segurar. A imagem do julgamento é peculiar: manter-se quieto nas costas, onde não se sente o próprio corpo; andar no pátio, onde não se vê o outro. Quietude aqui é a suspensão da pressão tanto interna quanto externa.
O que o livro aconselha não é meditação como técnica, mas reconhecimento do que está dentro do alcance. Não deixar o pensamento ultrapassar a posição: a frase da imagem é a doutrina inteira. Saber o que é meu agora — o que cabe pensar, o que cabe agir, o que cabe deixar — e ficar dentro desse perímetro. O resto se resolverá quando for sua hora de se resolver.
Gèn aparece na sequência do Rei Wen logo após Zhèn — primeiro o choque que sacode, depois a quietude que se aprende como antídoto. O livro nos lembra que vidas vividas em modo Zhèn — sobressalto após sobressalto — acabam por exigir Gèn como economia de sobrevivência.