Se Shī apareceu em sua leitura, o livro está nomeando uma condição, não uma previsão. A condição é esta: há um esforço coletivo a ser feito, e o esforço exige uma estrutura clara — alguém no comando, uma causa que justifique o movimento.
Água sob a terra: o trigrama de baixo é o perigo, o de cima é a multidão. O hexagrama desenha uma situação em que muita gente se move junto sobre um terreno que não é seguro. O julgamento exige um 丈人 — um homem maduro, alguém com a calma necessária para sustentar tantos sob risco.
O que o livro aconselha não é entusiasmo, mas disciplina. A causa precisa ser real, não inventada para mobilizar; o comando precisa ser firme, não autoritário; o povo precisa ser cuidado, não usado. O hexagrama é militar em vocabulário, mas o ensinamento serve a qualquer ação coletiva de peso.
Shī aparece na sequência do Rei Wen logo após Sòng — primeiro o conflito individual, depois a mobilização coletiva. O livro nos lembra que sociedades só se erguem para a ação organizada depois de já terem aprendido a perder o atrito particular, e que sem essa lição a mobilização rapidamente vira facção.