Se Míng Yí apareceu em sua leitura, o livro está nomeando uma condição, não uma previsão. A condição é esta: o ambiente externo é hostil à clareza, à honestidade, ao trabalho fino. Não é hora de brilhar; é hora de guardar o que se sabe.
Fogo embaixo, terra em cima: a luz exatamente onde não deveria estar, soterrada. O caractere 明 é claridade, e 夷 é ferido, machucado. A luz ferida. A imagem clássica é a do sábio em corte de tirano — sabendo o que sabe, calando o que sabe, porque dizê-lo agora seria desperdiçá-lo ou pagá-lo caro.
O que o livro aconselha não é cinismo nem rendição, mas dissimulação protetora. Encobrir a própria claridade e ainda assim iluminar: a frase da imagem é precisa. Aja por dentro. Cuide do que importa em escala pequena. Não exponha a luz inteira em ambiente que a apagaria. A perseverança em dificuldade é a virtude inteira do hexagrama.
Míng Yí aparece na sequência do Rei Wen logo após Jìn — primeiro o avanço público sob a luz, depois o reverso, o tempo em que a luz precisa se recolher. O livro nos lembra que vidas inteiras alternam entre essas duas estações, e que reconhecer em qual delas se está é metade do trabalho de atravessar a outra.