Se Bō apareceu em sua leitura, o livro está nomeando uma condição, não uma previsão. A condição é esta: algo está se desfazendo — uma estrutura, uma relação, um arranjo — e a desfeita não é totalmente má. O que estava insustentável está sendo descartado.
Terra embaixo, montanha em cima: cinco traços yin sobem em direção a um único traço yang ainda preservado no topo. A imagem é a do declínio quase completo, com apenas o último resquício do velho ainda de pé. O ideograma 剝 sugere descascar, despelar.
O que o livro aconselha não é defesa nem reforma, mas reconhecimento. Desfavorável ter para onde ir: o tempo não favorece nenhuma iniciativa nova nem nenhuma defesa do que está caindo. A virtude possível agora é dos que estão em cima — ser generoso com quem está embaixo, porque a posição de cima depende deles.
Bō aparece na sequência do Rei Wen logo após Bì — primeiro a graça, depois o que sobra quando a forma já não consegue segurar a substância. O livro nos lembra que toda decadência tem seu próprio ritmo; tentar acelerá-la ou pará-la cansa mais do que aceitá-la. O movimento certo virá depois.